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sábado, 13 de fevereiro de 2010

O QUEIJO DA MORTE

Eu estava assustado, jamais vira algo igual!
Qualquer um que chegasse perto daquele queijo morria. Não sei dizer como aquilo era possível. Lembro da minha mãe quando o tirou da geladeira e começou a cortar para meu pai levar para o trabalho num sanduíche, e, quando terminava de fatiar, a faca escapou e cortou seu pulso esquerdo. Espirrou sangue para tudo quanto é lado!
Depois foi meu pai, que, antes de sair, tinha comido umas duas fatias desse queijo, não as fatias que minha mãe cortava, outras, mas do mesmo queijo. Não teve tempo nem de começar a digestão, saiu de carro e trombou com um caminhão que transportava combustível, e os dois carros explodiram.
Nessa altura eu já não sabia explicitar o choque que passava pela minha mente. Não sei dizer como eu ainda estou são depois de ver meu mundo ruir assim. Mas não acabou por aí. Dias depois, minha avó, enquanto tomava conta de mim, pegou o queijo. Claro que eu ainda não tinha idéia de que ele era a causa daquilo tudo, por isso não tentei impedi-la. Ela escorregou e caiu, batendo com a cabeça na quina da geladeira. Morreu na hora, e o queijo, em cima da mesa, olhando tudo.
Foi aí que comecei a ligar os fatos. Tinha que ser o queijo! Como vocês poderiam explicar que um queijo que dure tanto tempo assim?
Mas descobrir a causa disso tudo não ajudou nada. Mesmo eu tendo dezesseis anos, ninguém acreditava em mim, os médicos diziam que eu apenas direcionava todo meu sofrimento pro objeto, alguns achavam até que eu estava maluco.
Não tardou para o queijo fazer sua próxima vítima. Era minha prima, que veio com minha tia quando essa substituiu minha avó como minha guardiã. Ela mal tocou no queijo, e levou um choque vindo da geladeira, morrendo tostada. A essa altura eu já não tinha mais coragem de entrar na cozinha. As pessoas diziam que a casa era mal assombrada, outras até cochichavam que eu era quem matava todas essas pessoas, mas eu sabia a verdade, sabia que era o queijo.
Decidi fazer alguma coisa quando a vez da minha tia chegou. Ela tinha decidido jogar o queijo fora, tentando assim, me acalmar. Mas quando o foi jogar o queijo na lixeira, ela começou a ter convulsões, a cuspir sangue, e caiu, morta. E assim o queijo voltou, não sei como, para nossa geladeira.
Só eu tinha sobrevivido ao massacre do queijo. Tinha muito medo de entrar na cozinha, de chegar perto daquele laticínio.
A polícia não podia ficar parada diante de todas aquelas mortes. Abriram as investigações sobre os casos, com base no fato de que todos tinham sido na mesma casa, especificamente na cozinha, claro, excluindo o meu pai. Me apontaram como principal suspeito, mas nenhuma prova, menor que fosse me acusava. Por isso, tiveram que me liberar.
Porém, logo que tiveram acesso a um exame psicológico que fiz, voltaram a me perseguir. Diziam que eu tinha distúrbios por acusar o queijo de todas aquelas mortes. Desafiei-os a chegar perto do queijo, em minha geladeira, mas os covardes não quiseram.
Enquanto eu era mantido em um hospital, acharam mais dois corpos na cozinha da minha casa, uma dupla de ladrões, que para o azar deles e minha sorte, tinham parado para comer um pouco de queijo. Isso retirou qualquer possibilidade de eu ser o culpado, mas não me libertou do hospício, pequeno detalhe que logo consegui contornar.
Fugi dali uma noite de domingo, e corri até minha casa, decidido a dar um fim no queijo da morte. Eu não descansaria em paz até me ver livre dele. Corri, como um louco de verdade, até chegar na porta da cozinha. Ali estanquei. Era extremamente difícil dar mais um passo.
Ouvi carros da polícia e ambulância chegando. Liguei todas as bocas do fogão e andei até a geladeira. Já tinha tirado tudo dali, todos os móveis que poderiam representar algum perigo. Só restava o fogão e a geladeira. Peguei o queijo. Logo escorreguei, mas não tinha nada para me ferir seriamente, depois que tomei precauções contra os que restavam. Ouvi a porta da frente sendo arrombada. Policiais e médicos entraram, correndo para cima de mim.
E aí joguei o queijo no fogo.
Um grito fantasmagórico encheu o lugar, e pude ver um rosto se formando no queijo que derretia, berrando. Os policiais e médicos também viram, e fizeram uma cara de horror. De repente o queijo inflamou, e de sua fumaça saíam vários rostos agonizantes. Um pulou em nossa direção, acompanhado por um pilar de fogo, mas não conseguiu nos alcançar.
Assim acabou.
Não consegui ser liberado do hospital psiquiátrico, mas ganhei como companheiros todos os que presenciaram a cena comigo. Para o mundo estávamos loucos.
Mas pelo menos não tinha mais o queijo da morte para nos aterrorizar.

Um comentário:

  1. ai que horrivel todo mundo morrer por causa do queijo O___________O mas ficou ótimo, mt bem escrito. eu nao revisei dessa vez :/
    Beijão :*

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