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sábado, 27 de fevereiro de 2010

Adrian e Anna - pt2

Três anos depois.
Adrian estava parado observando a água correndo embaixo da ponte, sem nada em mente.
Expirei a fumaça do cigarro, e inspirei mais. Ahh, como era fácil limpar a mente assim. Não restava nada do que enchia antes, tudo indo embora com a respiração. O coração ficava tão leve!
O dia ia escurecendo, e continuava só olhando para a água. O tempo simplesmente parecia não existir. Corria como o rio que olhava. Sem dor, só torpor.
Me virei e sentei, recostando no parapeito onde antes estivera debruçado. Com certeza isso amarrotou meu terno, mas e daí? Virei o olhar para cima, onde não restava mais quase luz nenhuma, apenas um pequeno vermelho, que ia ficando mais fraco para dar lugar ao breu da noite.
Expirei mais uma baforada.
Começou a rir, enquanto dois trabalhadores passaram em frente, e eles passaram direto, sem prestar atenção.
-Ridículo.
Uma mulher também cruzou a ponte, olhando para ele. Quantos anos devia ter? A minha idade suponho, e parecia tão... Diferente. Com certeza era isso.
Meus olhos encontraram os dela. Esbocei um sorriso, mas dessa vez não era o de deboche que dirigi aos dois homens. Não. Mas também não era um sorriso que a convidava a se juntar à mim. Era simplesmente um sorriso. Não sei se ela retribuiu.
E se foi, enquanto eu continuei ali.
Enfim o dia se transformou completamente em noite, e os postes de luz começaram a se acender. Eu já estava no quinto ou sexto cigarro, acho.
Me virei, de frente para o rio novamente, e me debrucei na amurada. As estrelas estavam refletidas na água, tão lindas!
-Ó, estrelinhas, estrelinhas! - comecei a cantarolar. Era uma canção de ninar bem popular.
Tossi.
Olhei o relógio, e já eram quase dez da noite. Mas isso não importava muito. Na verdade não importava nada. Porque não tinha uma só coisa que me fizesse querer voltar para aquela casa.
-Você vai pular?
Olhei para trás, e lá estava de volta a mulher de antes.
-Acho que não.
-Então de que adianta ficar em pé aí na mureta?
-Hmm, sempre existe a chance de eu tomar coragem.
-Certo.
Ela subiu do meu lado e pegou o cigarro da minha boca e tragou.
-Que troço fraco! Não me admira que você ainda não tenha pulado!
Olhei para ela de novo. Parecia tão frágil, num corpo de pele branca contrastando tanto com os cabelos negros. Era difícil dizer se ela só estava de brincadeira ou se falava sério. Estava inclinado a acreditar que apenas caçoava de mim, mas algo nela me impedia de ter certeza.
Algo que a fazia parecer tão próxima de mim, e ao mesmo tempo tão distante!
Tão...

2 comentários:

  1. GUIGS, AMEEEEEEEEI! Não está tão bem betado quanto estaria se eu o tivesse feito, mas, mesmo assim, a história é ótima! dá vontade de não parar de ler e quando eu vi, já estava no fim. Saudades, :*

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  2. : D
    Vlws!

    Mas fazer o q qnt a betagem, neah, minha unica beta reader foi abdusida pelo vestibular >_<

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