Páginas

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Adrian e Anna

“Que saco...” pensou Adrian enquanto andava pela rua, indo para a escola. Tinha dezessete anos, cabelos castanhos e bem curtos. Era alto, um pouco moreno, ombros largos e tinha um olhar que não se podia distinguir se era carregado de tristeza ou de raiva. Vestia um uniforme todo preto, calças, blazer e uma gravata que relutava em usar. Só uma camisa que usava por baixo do paletó era branca, diferente do resto.
Não conseguia acreditar que a vida era só aquilo. Acordar cedo para ir para a escola, depois para um curso, voltar para casa e dormir. Mesmo sair com colegas ou garotas não fazia sentido. Tudo parecia sem importância e revoltante. Por que por trás nunca havia nada. Eram sempre emoções e razões sem nada, vazias.
Tinha que ter algo mais!
Olhou decepcionado para os carros que passavam, um atrás do outro, como que disputando quem era mais medíocre, todos tão conformados com essa realidade idiota.
Se desse para jogar tudo pro alto...


“Será que eu estou mesmo viva?” pensou, não pela primeira vez Anna. Estava novamente jogada na cama, uma cama que não era a sua, nua, olhando para o teto, ao lado de um namorado que não era o seu.
Nada que fizesse conseguia reprimir aquele sentimento de que ainda não tinha começado a viver, de que tudo que tinha feito até agora foi simplesmente pura e total perda de tempo.
Se levantou, entrando no seu campo de visão um espelho que refletia uma garota de uns dezesseis anos, magra, com seios grandes, cintura fina e quadril proporcional. Cabelos pretos caíam até o ombro, contrastando com a pele branca. Seus olhos negros, delineados pela maquiagem escura e borrada, eram rodeados por olheiras profundas. Enfim, era ela.
Procurou pelo chão até encontrar um cigarro que levou aos lábios vermelhos. Acendeu com um fósforo e sentou em uma cadeira, enquanto olhava para lugar algum, só encarando o nada.
E se perguntou de novo se estava viva.
Porque com certeza viver era algo mais do que aquilo.
Pegou uma faca no chão, e olhou, só pra ter certeza que ainda corria sangue em suas veias.


E assim mais um dia terminou, do mesmo jeito que começou.
Adrian que vivia em uma realidade onde ele simplesmente se deixava levar pela correnteza, apenas reclamando de tudo, sem a coragem de mudar algo, e Anna, em algo que mal pode-se chamar de vida, onde mudar depende de mais do que a mera dúvida que vagueia por sua cabeça.
E assim, unidos por um pequeno pensamento, sem mesmo se conhecerem, tiveram seus futuros atados.

2 comentários:

  1. Nossa, que dramático o_o. Mas eu gostei da narração ^^, apesar de ter sido muuuuito breve. Dessa vez vai ser maior?

    E não pude deixar de rir com a coincidencia HOHOHO
    Continua ^^

    ResponderExcluir
  2. ah eu adorei *-*
    continuação, continuação, continuação *-*

    :*

    ResponderExcluir